Embora alguns historiadores defendam que foi na época romana que surgiu o primeiro burgo, que vem dar origem ao que hoje conhecemos por Valência de Alcântara (a 25km), conhecida então como Valência e aparentemente fundada por Junio Bruto, o que não há dúvida é que esta região foi ocupada desde os tempos mais remotos por povos pré-romanos e principalmente, no megalítico como lugar preferencial, onde se construiu um dos conjuntos de dolmens mais importante da Península Ibérica.

Da época romana ainda resistem algumas construções, em diferentes estados de conservação, de todas o Aqueduto e o burgo de San Pedro, são os melhores legados de origem romana a que se podem juntar o chamado Pontarrón de los Garabíos com incorporações do Séc. XVI e a conhecida Puente de Piedra sobre o rio Avid de apenas um arco pela qual passava uma calçada.

Apesar da importância deste período, é na época medieval que se define Valência de Alcântara como núcleo urbano definitivo de média importância, aumentado com a chegada dos árabes e sobretudo quando em 1221, é conquistada por Don Nuño Fernandez, grão-mestre da Ordem de Alcântara, pertencendo a esta Ordem até 1589, momento em que a povoação passa a estar sob a coroa espanhola.

A sua situação fronteiriça vai contribuir, por um lado por um enorme interesse da coroa espanhola em dotá-la de imponentes construções defensivas com o seu castelo e muralhas e por outro, em transformar-se durante séculos num histórico ponto estratégico desejado pela coroa Portuguesa.

Este cenário vai traduzir-se em conflitos bélicos com Portugal, e a povoação passará durante os Séc. XVI e XVII, e por diversas ocasiões de mãos espanholas para portuguesas, até que no ano de 1715 passa definitivamente para a coroa Espanhola.

Esta situação de conflito fronteiriço, não impediu a convivência em harmonia de uma população de diversas culturas, e assim, durante séculos conviveram judeus, muçulmanos e cristãos, que deixaram um interessante legado histórico e artístico, de que é prova o belíssimo bairro Gótico, um dos mais importantes em Espanha, bem como a que foi Sinagoga Hebraica da povoação.

Ultrapassadas as seculares quezílias entre vizinhos, paradoxalmente a sua situação raiana foi-lhe proporcionando um papel preponderante, tanto nas relações comerciais como sociais com as localidades Alentejanas a escassos quilómetros de Valência de Alcântara.

Esta situação privilegiada, é cada vez mais uma realidade, solidificando-se no presente, um importante núcleo turístico e económico, graças à socialização dos povos raianos, que se manifesta inclusivamente nas grandes festividades populares que esta Vila estremenha  celebra durante o ano, em especial a Romaria de San Isidro Labrador que atrai milhares de visitantes da comarca espanhola, como também muitos vizinhos portugueses que não hesitam em participar na mesma.